É necessário recuperar a confiança

O Brasil passa por um dos piores momentos da sua histórica na área econômica e política e ultimamente estamos fazendo mais um trabalho de psicologia, tentando levantar o moral dos nossos compatriotas, do que sendo analista em busca de cenários positivos que acabam por moldar as estratégias empresárias. Isso não é muito diferente no setor sucroenergético que também passa por tempos de provação, exigindo criatividade e resiliência de executivos e empresários do setor.

As grandes transformações globais, se por um lado podem ajudar as cadeias econômicas mais tradicionais, por outro a inovação pode balançar as estruturas e desorganizar sistemas econômicos centenários e já consolidados. No mundo do Agro não é muito diferente, aliás na minha opinião veremos mudanças até maiores nos próximos anos, simplesmente porque o campo de trabalho é extremamente vasto com resultados que poderão aparecer no curto prazo.

Esse processo geralmente requer um tripé muito importante. Incialmente, é necessário ter uma ideia inovadora, que normalmente nasce a partir de um problema identificado, depois é preciso ter a engenharia financeira ou um ecossistema inovador que possibilite essa ideia ser desenvolvida. Por fim, é preciso encontrar um ambiente de aceitação do novo por parte daqueles que poderão efetivamente usufruir da proposta, onde também incluímos a abertura por parte das autoridades reguladoras. Esse movimento é exemplificado pelo mundo das startups, algumas delas já com grande sucesso.

Na indústria em geral se fala muito no 4.0, com uma grande transformação com a robotização e a digitalização dos processos, sensores dão maior capacidade de gerenciamento, correção dos problemas com menor tempo e melhoria dos processos produtivos com mais facilidade. A geração de dados virou uma febre, falta agora saber a melhor forma de organizá-los e o que faremos com eles. Da mesma forma o Agro caminha para o 4.0.

É nesse novo mundo, em constante e rápida transformação que o setor sucroenergético brasileiro precisa se renovar e se remodelar. As estratégias de longo prazo precisam levar em conta as macrotendências mundiais e suas consequências sobre o setor, sendo a primeira os avanços tecnológicos já abordados. Passamos por uma mudança rápida na demografia com um crescimento e envelhecimento da população, associada a uma urbanização acelerada, com a migração do campo. Soma-se a essas três tendências, o deslocamento do poder econômico mundial, principalmente com o crescimento do poderio chinês, além é claro da preocupação cada vez maior com as mudanças climáticas que em geral causa escassez de recursos.

Analisando de perto essas tendências é possível concluir que o setor sucroenergético está totalmente inserido neste contexto com oferta de alimento e energia limpa. Contudo, estamos no Brasil e as incertezas econômicas, políticas e institucionais têm tirado principalmente a confiança tão necessária aos novos investimentos, principalmente na entrada de novos players. Da mesma forma, a falta de confiança no futuro tem afastado jovens talentos e profissionais capacitados do setor.

Algo precisa ser feito, é necessário recuperar a confiança, atualmente o setor tem recebido forte pressão devido aos vultuosos subsídios de países produtores de açúcar, além de campanhas negativas contra o seu uso com alto potencial de impacto no consumo do produto. Pelo lado da energia, há um grande movimento mundial em favor do carro elétrico a bateria, principalmente associado ao aumento do uso de energia solar fotovoltaica, um verdadeiro rolo compressor que prega o uso de vultuosos benefícios com recursos por parte dos fabricantes de equipamentos, governos e, também, pelo mercado financeiro.

A busca da solução começa dentro do próprio setor. A procura da eficiência e menores custos precisa ser intensificado, o setor precisa ficar mais competitivo, para isso será preciso produzir mais sacarose por hectare de cana. A tecnologia está pronta para atender o setor, é preciso intensificar a conectividade do campo com a gestão, os dados precisam ser coletados, transmitidos e auxiliar na tomada de decisão.

Um associado da SIAMIG, recentemente, reportou um fato que corrobora essa análise. A aplicação de defensivos realizadas com máquinas, coloca muitas vezes os colaboradores das usinas em um trabalho solitário e distante da unidade industrial. Em uma área de 500 hectares percebeu-se de um ano para outro uma perda de produtividade de mais de 20% com o aparecimento de uma praga específica, em contraponto com o restante das áreas da empresa. Após a análise do fato, ficou constatado que o funcionário não havia aplicado o produto na área específica no momento correto. Se existisse um sistema de monitoramento interligado, o erro provavelmente teria sido corrigido rapidamente e o prejuízo seria mínimo.

Para tal é necessária uma maior organização no ambiente de pesquisa e desenvolvimento do setor no Brasil, seja no ambiente digital, industrial e principalmente no agrícola. Há uma escassez de recursos geral que tem prejudicado as poucas ações hoje existentes. Devido à atual situação financeira do governo brasileiro, constata-se que a solução passa principalmente pelo setor privado. Iniciativas como o etanol de segunda geração, a cana transgênica ou transformações nos sistemas de produção podem ser aceleradas em um ambiente como esse.

Com a casa arrumada, é necessário um trabalho no ambiente institucional. A primeira ação é a consolidação das regras do mercado de combustíveis no Brasil. Essa proposta passa por 4 pontos, regras de precificação clara dos derivados, aumento da concorrência no mercado de distribuição, o fim do monopólio de fato do refino e do transporte por duto pela Petrobras e claro pela implantação definitiva do RenovaBio. Sem dúvida, essas quatro ações alterariam sobremaneira a percepção do mercado, tanto de produtores quanto de investidores sobre o futuro do etanol no Brasil.

Não menos importante, também no campo institucional, que envolve todo o setor exportador brasileiro, é imprescindível que o Brasil mude sua postura nas negociações comerciais com o mundo. Nosso país tem mais de 200 milhões de habitantes, com um grande mercado consumidor, somos grandes exportadores de commodities e precisamos ter mais efetividade no comércio internacional.

Por fim, o setor precisa se comunicar com a sociedade, um investimento constante e institucional. Não dá mais para negligenciar mais o fato que apesar de setor realizar um grande trabalho, tanto de cunho ambiental quanto econômico social, há um sério preconceito que ronda todas as ações deste setor tão importante para a sociedade brasileira. Isso não é uma suposição, mas sim uma constatação, existe sim uma má vontade generalizada contra o setor de cana no Brasil, é para resolver isso será preciso investir. É necessário engajar toda a cadeia, do produtor de insumos ao produtor de cana, a indústria de máquinas, enfim a todos que de uma forma ou de outra se beneficia de um segmento que gira mais de R$ 100 bilhões todos os anos.

Enfim, o futuro do setor passa pelas próprias mãos do setor, teremos muitos “inimigos” pela frente, setores muito bem organizados e conectados com a mais alta tecnologia e com as macrotendências mundiais, mas a resiliência e o empreendedorismo que nos trouxe até aqui poderá com um pouco mais de organização, estratégia e espírito de grupo nos trazer de volta ao protagonismo de outrora.

Extraído da revista Opiniões – Jul/Set 2018

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Energias renováveis; em prol de um futuro sustentável

bioeletricidade

No fim de 2017 foi disponibilizado o 31º Balanço Energético do Estado de Minas Gerais (BEEMG), referente ao ano de 2015. Segundo o BEEMG, Minas Gerais apresentou em 2015 uma demanda total de energia de 36,12mi TEP (Tonelada Equivalente de Petróleo), correspondente a 12% da demanda total do Brasil. De 1978 a 2015, Minas Gerais teve um crescimento médio na demanda de energia de 2,3% a.a., contra 2,9% a.a. do Brasil.

No Balanço Global de energia, Minas Gerais se mostra muito deficitário, pois importa 61,1% (22,08mi TEP) de sua demanda total, enquanto produz 44,2% (15,976mi TEP) e exporta apenas (-)5,5% (1,984mi TEP). De acordo com o BEEMG, “O elevado montante de importação de energéticos em Minas Gerais ocorre em função, principalmente, pela necessidade de petróleo e seus derivados e de carvão mineral”.

O petróleo lidera com grande vantagem as importações líquidas, representando 38,54% (7,874mi TEP), e em seguida vêm seus derivados, responsáveis por 16,01% (3,270mi TEP). As importações seguem em ritmo ascendente e, com elas, a dependência externa de energia do estado. Esta crescente dependência externa é preocupante, pois, sendo encabeçada pelo petróleo, pode trazer um déficit financeiro ainda maior devido ao constante aumento do seu preço que, reflete ainda, nos preços de outros produtos e serviços.

Além da preocupação econômica que esses dados nos trazem, há ainda a preocupação ambiental, tema cada vez mais central de discussão no mundo, culminando recentemente no Acordo de Paris. Muito se fala dos carros elétricos como uma solução limpa, mas pouco se pensa sobre as fontes energéticas que os alimentarão.

É hora de darmos atenção à pluralidade da nossa matriz energética para garantirmos um futuro sustentável; o ritmo da demanda de energias não renováveis e poluentes deve ser reduzido para que possamos honrar futuramente os níveis de emissão de gases de efeito estufa determinados por este acordo. No Brasil, o primeiro passo já foi dado com a instituição do programa RenovaBio, mas muito ainda nos falta em termos de descarbonização.

A despeito de uma considerável participação das energias renováveis na demanda mineira (52,7%), encontramos dentre elas um problema que vale destaque. A energia hidráulica tem sofrido constantemente com os baixos níveis dos reservatórios, obrigando-nos a recorrer ao auxílio dispendioso das termoelétricas. Sendo assim, duas fontes energéticas que podem ser valiosas no processo de descarbonização são a solar e dos derivados da cana.

MG tem potencial solar em mais da metade de sua extensão do lado oeste, recebendo em média uma significativa radiação solar direta diária de 6 a 6,5kWh, mas esta fonte ainda possui participação pequena, sendo considerável apenas no médio e longo prazo. A energia dos derivados da cana-de-açúcar (bioeletricidade e etanol), por sua vez, já representa 36,1% da demanda de energias renováveis de Minas Gerais e 19% da demanda total. Dos dois setores de maior demanda energética de Minas Gerais, industrial (61,1% da demanda total) e transportes (26% da demanda total), essa fonte compõe 23,81% do primeiro, ficando atrás apenas da lenha e derivados, e 16,09% do segundo, após o agregado petróleo, gás natural e derivados.

O crescimento da demanda pela energia da cana-de-açúcar e derivados foi notável nas últimas décadas, pois representava apenas 2% da demanda total mineira em 1978 e 7% em 2004, ultrapassando o carvão em 2009, a hidráulica em 2013 e, em 2015, lenha e derivados.

A cana mostrou-se um investimento vantajoso por fornecer em conjunto várias commodities: etanol, açúcar, eletricidade e futuramente biogás e créditos de descarbonização. Nos últimos anos, porém, o crescimento apresentou-se estagnado, com pouco acréscimo na capacidade de processamento de cana das usinas sucroenergéticas.

Na bioeletricidade, há um potencial técnico enorme: além de existirem usinas que ainda não exportam bioeletricidade, há subaproveitamento da palha da cana e do biogás, que podem ser complementares ao bagaço já utilizado.

RenovaBio, crescimento com descarbonização

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Uma forma de ampliar a produção e o uso dos biocombustíveis, com maior eficiência e custo mais baixo ao consumidor, será criada a partir da nova Política Nacional de Biocombustíveis, chamada RenovaBio, que se transformou no Projeto de Lei 9086/17 em análise para aprovação no Congresso Nacional.

A discussão do RenovaBio, durante todo este ano, contou com a participação histórica de todos os elos da cadeia como produtores, entidades de pesquisa e diversas áreas governamentais. O objetivo do programa, além de valorizar os biocombustíveis nacionais, prevê segurança energética, maior geração de empregos e renda, melhoria da qualidade do ar nas grandes metrópoles e incentivos à inovação tecnológica. Tudo isso a partir da meta de descarbonização da matriz de transporte brasileira, de acordo com os compromissos assumidos no acordo climático de Paris.

Com a expansão da oferta e do uso de biocombustíveis, são esperados mais de R$ 1,4 trilhão de investimentos, geração de 1,4 milhão de novos empregos, com uma economia na importação de gasolina e diesel da ordem de 300 bilhões de litros até 2030. O programa tem um potencial de redução de mais de 847 mil toneladas de CO2, equivalente ao plantio de mais de 6 bilhões de árvores.

Apesar dos grandes problemas econômicos, políticos e sociais enfrentados, o Brasil é um dos países que mais se encontra em condições de implementar programas de aumento do uso das energias renováveis no transporte, devido à diversidade de produção.

Uma longa etapa ainda está por vir, pois, após aprovado pelo Congresso Nacional, o RenovaBio ainda dependerá de regulamentação. Mas o país contará com uma política nacional planejada e consistente, para os próximos anos, beneficiando toda a sociedade. Minas e o Brasil têm muito a ganhar com o RenovaBio.

Uma conquista de toda a sociedade brasileira

No momento em que este artigo é escrito, existe uma enorme ansiedade para que o RenovaBio possa efetivamente existir. Desde dezembro de 2016, quando a ideia do programa foi lançada pelo Ministério de Minas e Energia, dezenas de pesquisadores, lideranças do setor e representantes do Governo Federal se debruçaram para elaborar um programa robusto que promete ser um novo recomeço para o setor de biocombustíveis.

O Brasil é o terceiro maior consumidor mundial de combustíveis líquidos e a participação dos biocombustíveis já é considerável, o que torna qualquer programa nessa área uma grande conquista com impactos altamente positivos sobre a economia local. O etanol anidro é misturado à gasolina no percentual de 27%, o biodiesel possui participação de 8% no diesel vendido no Brasil e o etanol hidratado participa com cerca de 20% do consumo do ciclo Otto no mercado brasileiro.

Além disso, ao longo das últimas décadas, o País construiu uma infraestrutura que possibilita que o biocombustível possa ser consumido por todos os brasileiros. São milhares de postos revendedores, dezenas de estruturas de distribuição, milhares de caminhões transportadores, quilômetros de dutos e milhões de veículos com tecnologia para utilizar os bicombustíveis produzidos no território brasileiro.

Os conceitos/ideias são importantes e não devem ser confundidos com divagações ou teses de consultores ou de burocratas. São a partir deles que construímos as agendas positivas do setor, que geram novas ideias, as quais se transformarão em oportunidades de negócios e boas políticas públicas.

De fato, não há atividade mais complexa do que produzir no território brasileiro, afinal, no dia a dia é preciso conviver com a burocracia excessiva, as ineficiências intrínsecas ao Brasil, fora o próprio risco do negócio. Quando a atividade é agroindustrial, a complexidade aumenta porque, além da atividade de transformação industrial e da dificuldade de comercialização, o produtor precisa conviver com o risco intrínseco da própria agricultura. É por isso que precisamos dos conceitos, das tendências, aquelas que manterão a chama do empreendedor brasileiro viva, mesmo em períodos de crise.

Portanto, é preciso afirmar à sociedade brasileira que os biocombustíveis são uma forma de energia solar, na qual a planta absorve a luz do sol para crescer e transformar em biomassa que servirá de matéria-prima para a produção de combustíveis.

Além disso, é uma energia limpa e renovável, a partir da realização da fotossíntese pelas plantas, que, literalmente, limpam o ar que respiramos. Por outro lado, os combustíveis de origem fóssil são a antítese desse processo, mas temos que considerar que foi a partir deles que alcançamos a atual dinâmica econômica que conhecemos, inclusive algumas dificuldades atuais da humanidade, dentre elas a poluição e o aquecimento global.

A busca pelo desenvolvimento sustentável é ecoada pelos quatro cantos nos diversos discursos de líderes de todas as classes. Esse objetivo norteia as políticas públicas, as relações de consumo e dos negócios de maneira geral. O conceito de desenvolvimento sustentável remete à necessidade de a geração presente manter pelos menos as mesmas condições de vida no planeta para as próximas gerações. Elas foram institucionalizadas nos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU, chamados de ODS. Não é algo simplório, contudo, não buscá-los, é simplesmente negar um mundo melhor para os próprios descendentes.

Foi por isso que no ano de 2015, em Paris, os líderes políticos mundiais resolveram estabelecer metas visando um mundo mais sustentável. Eles assinaram um acordo histórico que possibilita reduzir o aumento da temperatura do planeta e, dessa forma, reduzir os efeitos das mudanças climáticas. Como desdobramento dessa meta, há uma grande transformação da economia mundial em curso.

Os países, cada qual de sua forma, têm procurado estabelecer diretrizes para implementar políticas públicas que possibilitem em geral a descarbonização do mundo em que vivemos. E o principal alvo sem dúvida é o setor de energia que representa boa parte das emissões de CO2. O Brasil não é diferente e, apesar da crise institucional, política e econômica em que vivemos, as discussões não pararam e o setor de transporte é talvez aquele com maior potencial de atuação. Enquanto no mundo as emissões do setor de transporte representam cerca de 23% das emissões totais de CO2 do setor de energia, no Brasil alcançamos 43%.

É dentro dessa lógica, de um maior desenvolvimento sustentável, aliada às metas comprometidas pelo País no acordo de Paris, que a ideia do RenovaBio foi concebida. Cumprir as metas climáticas a partir de um setor de grande potencial e diferenciação competitiva da economia brasileira, que alia produção sustentável, desenvolvimento regional, geração de emprego e renda à descarbonização da matriz de transporte brasileira, a partir do uso de mais biocombustíveis, sem dúvida é uma excelente opção para o futuro da sociedade brasileira.

O RenovaBio não nasceu do nada, não é coisa de consultor ou da cabeça dos profissionais que lideram o setor, muito menos é alguma política pública que somente vise beneficiar diretamente a cadeia produtiva dos biocombustíveis. A ideia nasce da incapacidade do mercado de precificar as externalidades negativas trazidas à sociedade pelos combustíveis fósseis. Vale lembrar que essa é uma discussão antiga retratada pela teoria econômica, as chamadas falhas de mercado.

Ao longo dos últimos anos o setor produtivo fez o possível para inserir esse conceito nas relações de consumo do mercado brasileiro; de certa forma, a diferenciação tributária conseguida em certos estados possibilitou, em parte, realizar essa tarefa.

Além disso, o RenovaBio foi concebido para ser um programa de todo o setor de biocombustíveis. Assim, além do etanol de cana, outras formas de combustíveis renováveis também estão integradas ao programa, como o etanol de milho, o biodiesel, o biogás e o bioquerosene de aviação.

Ou seja, é um programa que integrará boa parte da cadeia do agro, da cana-de-açúcar ao milho, passando pela soja e até à pecuária, dado que uma boa parte do biodiesel produzido no Brasil vem do sebo bovino. O programa auxilia a otimização de grande parte da cadeia do agro com a parceria entre a agricultura alimentar e a agricultura energética processada em plantas industriais modernas e eficientes.

Uma longa etapa ainda está por vir até que o primeiro CBio (certificado de descarbonização) possa ser emitido. Toda a regulamentação será criada e a manutenção das atuais regras claras do mercado interno de combustíveis fósseis são essenciais ao futuro do programa. O mercado sofrerá uma mudança significativa na sua estrutura atual, muitas vezes perversa contra quem produz. As metas serão destinadas às companhias distribuidoras, que serão a contraparte dos produtores no mercado de CBio.

A definição da participação dos biocombustíveis na matriz de transporte brasileira será peça-chave nesse processo, ela que definirá o ritmo e o potencial de crescimento da produção e do consumo em território brasileiro. O CBio promete ser um mecanismo de mercado que precifique as externalidades negativas geradas pelos combustíveis fósseis colocando, pelo menos na área de transporte, o Brasil rumo a um desenvolvimento mais sustentável.

Para o setor sucroenergético, o programa promete trazer um grande impacto, uma mudança na cultura do setor. Em primeiro lugar, o RenovaBio provocará uma corrida por eficiência na produção, dado que as usinas serão diferenciadas entre si pelo potencial de descarbonização do etanol produzido por cada uma delas, utilizando o conceito de ciclo de vida.

Ou seja, para um mesmo volume de etanol produzido e comercializado, teremos diferentes quantidades de CBio, que dependerá de diversos fatores do sistema de produção, como produtividade do canavial e quantidade de insumos utilizados. Essa corrida pode levar no médio prazo a uma maior competitividade do setor e preços mais baixos para o consumidor.

Além disso, a criação do CBio poderá trazer uma série de oportunidades financeiras ao produtor. Essa é uma mudança primordial do programa, dado que as usinas possuem diferenças substanciais nos modelos de financiamento da produção de açúcar e de etanol, o que normalmente beneficia a produção do primeiro.

Os instrumentos financeiros que poderão derivar do CBio deverão pelo menos igualar a estrutura hoje existente no açúcar, tornando a produção de etanol mais estável e compromissada com o mercado. Novas parcerias mais sólidas e em linha com o modelo do desenvolvimento sustentável poderão ser lançadas com os demais elos da cadeias, distribuidoras e postos revendedores.

Não há dúvida de que o RenovaBio, se bem implementado, poderá dar um novo impulso ao setor. Modelos de negócios poderão ser revisados, novas oportunidades de criação de valor estarão sobre a mesa, os produtores poderão recuperar o protagonismo perdido durante anos frente a um modelo de mercado cartorial, marcado por intervenções e desestímulos à produção. O RenovaBio é, sim, uma boa ideia para o futuro do setor sucroenergético, e claro, para o Brasil.

O universo do Agro não se resume somente aos grãos

Há muito tempo me incomodava o fato que ao ouvir falar do agro, apenas os grãos eram lembrados. É louvável o desenvolvimento da produção grãos, em especial de soja e milho no país, reconhecemos o movimento de negócios que ele promove e, sem dúvida, este setor representa boa parte do agronegocio brasileiro.

Neste ano o Brasil comemora mais um recorde na produção de grãos, cerca de 232 milhões de toneladas, e desde o início do ano o governo vem destacando este fato em suas comunicações. Inclusive recentemente divulgou a super safra de grãos como responsável pelo crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2017 em comparação com o último trimestre de 2016.

Contudo, o agro não é somente grãos, a cadeia é extensa e não podemos esquecer da cana-de-açúcar, da carne, do leite, café, dos produtos florestais, da laranja etc. Desde o início do ano os membros do Forum Nacional Sucroenergético – FNS – tem externado a diversos representantes do ministério da agricultura o incomodo de ver a grande produção de cana não ser lembrada nos discursos e comemorações do sucesso do agro no Brasil. 

Pois bem, durante o lançamento do Plano Agrícola Pecuário 2017/2018, o excelente Ministro da Agricultura Blairo Maggi em seu discurso lembrou que o Agro movimenta anualmente cerca de 1,2 bilhão de toneladas de produtos em todo o Brasil, destacando todas as cadeias deste importante setor da economia brasileira. 

A mudança de discurso é importante por dois motivos. Primeiramente demonstra a grandeza do agro no Brasil, afinal quantos equipamentos, combustível e mão de obra não são necessários para realização desta enorme operação logística de armazenamento e transporte, gerando negócios, oportunidades, emprego e renda para milhares de pessoas. 

Em segundo lugar, chega-se a conclusão que o setor de cana, pelo menos em movimentação de carga, representa mais da metade do agro brasileiro, com uma de produção em torno de 650 milhões de toneladas. 

Uma bola fora do Trump e o troco da sociedade

O presidente dos EUA, Donald Trump, renunciou ao protagonismo ambiental conquistado pelo seu país através do seu antecessor e anunciou a retirada do EUA do Acordo Climático de Paris. Vamos admitir, já esperávamos tal decisão desde sua eleição. Infelizmente, não podíamos esperar uma decisão diferente do mais controverso presidente americano dos últimos anos.

O que nos surpreendeu positivamente foi a manifestação oficial de dezenas de chefes de Estado, incluindo países da União Europeia, China e o próprio Brasil, criticando o ato do presidente americano e afirmando o compromisso com o acordo climático. Além disso, diversos governadores e prefeitos de grandes cidades americanas também se pronunciaram decepcionados com a decisão da Casa Branca que coloca seu país no mesmo grupo de Síria e Nicarágua, únicos países que estavam fora do acordo.

Mas o mais importante recado veio dos diversos conglomerados econômicos afirmando a crença nas mudanças climáticas e que o acordo é essencial para reduzir seus impactos nos próximos anos. Ou seja, foi dado um recado bem claro ao governo americano, o tema ambiental além da necessidade de tomar medidas globais já entrou de vez nos negócios das empresas. Não importa o que o presidente americano pensa, mas sim o que o consumidor americano procura.

É um caminho sem volta, a sociedade está cada vez mais interessada em se informar sobre a origem dos produtos, sua composição, sobre a forma de produção e os seus impactos no meio em que vivemos. Ao Brasil cabe reafirmar seu compromisso e assumir de vez seu papel de protagonista na evolução do debate ambiental mundial.

O Brasil e o Acordo Climático Mundial

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Em meio a forte turbulência que nossa nave Brasil vive nos dias atuais, há uma macrotendência mundial que as forças políticas e econômicas brasileiras deveriam direcionar grandes esforços com o objetivo de tornar o país um grande protagonista na área da sustentabilidade.

Diz o ditado que, quem chega primeiro bebe água limpa, e assim o país deveria demonstrar ao mundo que realizará todos os esforços para cumprir suas metas estabelecidas no Acordo Climático mundial, elaborando políticas públicas não de governo, mas de Estado.

Em 2015, o Brasil assumiu em Paris cortar em 37% as emissões de gases do efeito estufa até 2025, comparado a 2005. E para 2030 assumiu a intenção de reduzir em 43% as emissões. Para isso, o país se comprometeu a aumentar a participação de bioenergia sustentável na matriz energética para 18% até 2030, restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas, assim como alcançar uma participação de 45% de energias renováveis na composição da matriz energética nesta mesma data.

Antes de assustarmos com os números ou mesmo se perguntar o que cada brasileiro ganhará com isso, convido o leitor a uma reflexão importante. Muitas empresas já reclamaram aos “quatro cantos” da dura legislação, da burocracia e morosidade da área de meio ambiente no Brasil e, nesta hora, sempre nos comparamos com o resto do mundo, para justificar a nossa perda de competitividade.

Por exemplo, que país exige de seus produtores rurais a manutenção de 20% (no mínimo) de sua propriedade como reserva, ou seja, como área não produtiva? Em qual país o empreendedor precisa pagar um percentual do investimento realizado como compensação ambiental?Quantos países podem comemorar em ter mais de 40% da matriz energética composta por recursos renováveis como a nossa?

A questão que se coloca neste momento é como transformar uma série de exigências em valor e diferencial competitivo para nossos produtos no mercado, seja interno ou externo, gerando investimentos, emprego e renda para a  população, captando recursos e financiamentos internacionais.

O Ministério de Meio Ambiente está articulando a elaboração de uma estratégia nacional para  implementação e o financiamento da NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) brasileira. Financiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), foi construído um documento base disponível no site http://www.mma.gov.br/clima/ndc-do-brasil com o  objetivo de subsidiar esta estratégia nacional.

Até o dia 15 de março, o MMA irá receber contribuições da sociedade reunindo o maior número possível de informações para que a melhor estratégia possa ser traçada pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.

Ainda há um longo caminho a percorrer, mas a preocupação com a sustentabilidade não pode ser deixada de lado, assim como a  necessidade de liderança do país frente a este importante tema no mundo, com o foco na geração de valor aos produtos brasileiros. Ganhará o meio ambiente, ganhará o país e nós brasileiros.

Uma visão diferente sobre a dimensão do setor sucroenergético no Brasil

Normalmente, na apresentação do setor sucroenergético brasileiro, procuramos informar os principais números como faturamento, produção, unidades em funcionamento, total de área plantada de cana de açúcar, colaboradores, posição no ranking mundial, total exportado, seja em unidade de medida ou em divisas. É muito comum, então, encontrarmos um interlocutor que não saberá dimensionar a importância desta atividade na vida dos brasileiros de forma geral.

Vejamos: o total da área de cana no Brasil equivale à soma das áreas dos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo e, apesar de ser um fato significativo, estamos falando de dois dos menores estados brasileiros e de uma ocupação pouco mais de 10% da área agricultável no país.

Porém, o mesmo não podemos falar da dimensão do produto final do processamento de toda a matéria prima. Com o açúcar produzido nessa safra,  em torno de 37 milhões de toneladas,  é possível adoçar cerca de 1 trilhão de latas de refrigerantes, 7,5 trilhões de cafezinhos ou 221 bilhões de potes de sorvete.

Da mesma forma, com a produção anual brasileira de etanol, cerca de 27,6 bilhões de litros, é possível dar praticamente 5,6 milhões de voltas ao mundo com o carro que você tem na garagem. O consumo desta produção, em substituição ao combustível fóssil, leva à mitigação anual de mais de 60 milhões de toneladas de COequivalentes.

agropeu22Outro dado interessante é que o total mitigado com o consumo de etanol equivale ao plantio e cultivo por 20 anos de mais de 403 milhões de árvores. Já pensaram que ao abastecer o veículo com etanol o motorista estaria  plantando árvores?

E a bioeletricidade? O que é isso? Muitos ainda não sabem! Esse é o nome da energia elétrica produzida a partir do bagaço e da palha de cana, ou seja,  é uma energia elétrica com origem na biomassa. Os 20,2 TWh produzidos anualmente e injetados no sistema elétrico nacional equivalem a abastecer por um ano mais de 12 milhões de residências, praticamente três cidades de São Paulo.

Da mesma forma, a energia que você está usando e que te possibilita ler este blog pode estar vindo da biomassa, ou seja, você está plantando mais árvores. Por ano, a bioeletricidade produzida pelo Brasil leva à mitigação de 10 milhões de toneladas de CO2 equivalentes, o mesmo que plantar 71 milhões de árvores cultivando-as por 20 anos.

 

Exportações de açúcar batem recorde em Minas Gerais

Poucos sabem, mas o Estado de Minas Gerais possui uma grande plataforma de exportação de açúcar. Diversas empresas que atuam em Minas têm neste produto seu maior faturamento. Em 2016, o setor sucroenergético apresentou uma importante recuperação, as margens do desastre econômico que o Brasil vive, e o açúcar tem grande participação nesta retomada.

O açúcar foi o maior responsável pelo setor fechar o ano no azul, e os números das exportações do produto comprovam isso. Foram exportadas pelas empresas mineiras mais de 3,21 milhões de toneladas de açúcar em 2016, um aumento de 26% sobre 2015.

Esta foi a maior quantidade de açúcar exportada em um único ano por Minas Gerais. Antes disso, o recorde pertencia ao ano de 2013. O setor também  alcançou o recorde na participação das exportações de açúcar no Brasil, 11,09%. Em 10 anos, a quantidade das exportações mineiras de açúcar cresceram expressivos 150%, fruto dos investimentos que foram realizados.

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O faturamento com as exportações alcançou em 2016  US$ 1,15 bilhão, cerca de R$ 3,99 bilhões, um crescimento em dólar de 44% sobre 2015. Esta não foi a maior receita em dólar alcançada, pois em 2011 o setor havia atingido US$ 1,29 bilhões.Contudo, o ano de 2016 apresentou recorde de receita em reais. O faturamento médio por tonelada de açúcar cresceu 19% na comparação com 2015, encerrando o ano em cerca de R$ 1.240 / ton.

Em 2016, o açúcar representou 5,22% do total das exportações de Minas Gerais. Em 10 anos, o produto passou de uma participação de 1,76% para o atual número.

 

 

Precisamos ser protagonistas na nova onda mundial

O objetivo de qualquer país é a busca do desenvolvimento econômico e social, com geração de emprego, renda e oportunidades para sua população. Seja de ideologias de esquerda ou de direita, ou até em países com regimes autoritários, esse tema sempre está presente nos discursos de seus líderes.

Depois de anos de discussão, os líderes mundiais chegaram também à conclusão de que o mundo precisava se unir na preocupação com a qualidade de vida das próximas gerações e assinaram em dezembro de 2015 o acordo climático de Paris, que entrará em vigor quase um ano depois com o apoio das grandes potências econômicas mundiais.

Assim, os discursos dos líderes ao redor do mundo incorporaram as ideias de sustentabilidade e todos debaterão formas de lidar com as mudanças climáticas e como o mundo será deixado para as próximas gerações.

Essa nova forma de pensar, agora institucionalizada, chega num momento de grande transformação dos negócios, com a consolidação da era do conhecimento, onde a inovação virou regra e não uma opção para qualquer segmento econômico que pretende crescer. O aparecimento de tecnologias e negócios disruptivos tem balançado as estruturas de segmentos econômicos já consolidados e mudando a forma de gestão ao redor do mundo.

O mundo vive o tempo do empoderamento do consumidor, que cada vez mais tem moldado os rumos dos segmentos econômicos. Os consumidores querem saber o que compõe os alimentos que estão comendo, de onde vêm as roupas que estão vestindo e como todos os bens são produzidos, principalmente como são as relações sociais dentro de cada cadeia econômica e de onde vêm e como são produzidos os insumos.

O Brasil tem um grande potencial de ser protagonista nesta nova onda mundial principalmente porque temos inúmeras possibilidades de produção de energia limpa, setores produtivos já estruturados além de um grande mercado consumidor de mais de 200 milhões de habitantes.

Para que isso possa ocorrer, o país precisa de planejamento e gestão, transformar as ações essenciais para nosso futuro de política de governo em política de Estado, assim estaremos pensando nas novas gerações e caminhando de forma sustentável. O Brasil precisa modificar sua cultura do adiamento, o que gera grandes dificuldades de cumprimentos de metas, o famoso “jeitinho” brasileiro.

Nos países desenvolvidos quando uma meta é estabelecida, em geral os segmentos econômicos procuram se antecipar, no Brasil infelizmente deixa-se tudo para última hora e ainda se trabalha para um adiamento.

O momento que vivemos demonstra que a época do improviso já passou, que as políticas populistas que privilegiam o hoje em detrimento do amanhã demonstraram ineficazes em construir uma nação mais justa e de oportunidades. A responsabilidade politica com a nação levará o país às melhores escolhas, para isso os setores econômicos precisam se organizar e apresentar suas propostas.

A oportunidade para o setor sucroenergético está colocada na sua frente e o setor precisa ser protagonista desta transformação do país, se posicionando como uma das melhores opções.  E esse protagonismo só é possível porque o setor é um grande produtor de energia limpa e renovável, é um grande transformador de energia solar, a partir da cana, em produtos energéticos para a sociedade.

Esse protagonismo é um trabalho de construção, que começa pela montagem e apresentação do discurso, que precisa ser não só somente interessante para as empresas do setor, mas também para toda a sociedade brasileira. Para tal, não é possível pensar somente nos próximos dois anos, mas sim ter uma visão de longo prazo com um planejamento e metas que não pode vir de cima para baixo, nem imposto pelo segmento econômico, mas sim construído a diversas mãos entre setor privado e setor publico, em prol do desenvolvimento econômico sustentável do Brasil.

Dito isso, a construção de uma politica de longo prazo para o setor se dará olhando de forma inteligente para a oferta e demanda e as formas de equilibrá-las nos próximos anos. Não se pode esquecer que o setor é um grande fornecedor de alimentos, e qualquer discussão de política pública não dará certo se não considerar e entender que as usinas brasileiras continuarão a ser o maior fornecedor mundial de açúcar, seja qual for o tamanho do mercado.

Essa é uma premissa importante para qualquer modelo a ser desenvolvido. Sabe-se hoje o tamanho deste mercado, também sabe-se que seu crescimento, se existir, será apenas vegetativo de acordo com o crescimento da população e mudanças de hábitos de consumo.

Do lado da demanda, a preocupação deve ser a manutenção do crescimento do mercado. Indústria que não tem mercado, morre. Vivemos no limiar de uma grande transformação de percepção de consumo onde a energia renovável ganha grande força. O ponto de partida para o setor é demonstrar que possui produtos importantes como as energias solar e eólica, mas muito superiores quando se analisa o conjunto da obra em termos de empregos gerados, interiorização e descentralização de investimentos, além de tecnologia e conteúdo nacional.

A onda do carro híbrido e elétrico passa a não ser mais a preocupação, se mecanismos de incentivos públicos induzirem as indústrias a ofertar híbridos flex, com o conceito 100% verde, e também quando a discussão tecnológica atinge patamares mais elevados como o carro à célula de combustível, um modelo a etanol apresentado pela Nissan nas Olimpíadas do Rio.

O futuro do veículo a combustão é incerto, contudo nos próximos anos o mercado para esses veículos ainda será muito grande. A ANP e o MME já indicaram o grande gap energético de combustíveis que o país terá até 2030. Uma nova organização logística e a mudança das obrigações dos players do mercado, aliado ao fortalecimento do órgão regulador, serão necessárias para manter a segurança do abastecimento.

Mas além de induzir e regular, o governo precisa reconhecer o seu papel para correção das falhas de mercado, exemplificadas neste caso pelo uso de combustíveis fósseis e suas inerentes externalidades negativas. Para isso, a criação de um imposto ambiental é essencial a fim de induzir o uso de energias renováveis e limpas em detrimento da energia fóssil.

No lado da oferta, o primeiro grande desafio é tornar a cana-de-açúcar cada vez mais produtiva, com a aplicação da inovação e da gestão do conhecimento na cultura. Novas variedades, novas formas de plantio, cultivo e controle das pragas, o aperfeiçoamento das práticas agrícolas, da forma de colheita e transporte poderão abrir novas possibilidades para atingir o almejado canavial com produtividade de três dígitos.

Novas formas de produzir precisam ser incentivadas, com criação de mecanismos que incentivem o aumento da escala de produção e a produtividade da agroindústria. O etanol de 2° geração juntamente com o aumento da produção de bioeletricidade a partir de outras fontes além do bagaço, como a palha e o biogás, podem elevar a competitividade e o aspecto sustentável do setor.

Toda essa construção do discurso precisa ser feita sob uma governança comprometida com o objetivo de construir um setor mais competitivo, mais lucrativo e mais sustentável. E para tal, é muito importante que o setor construa o engajamento dos stakeholders e da sociedade a favor deste objetivo, assim conseguirá criar mais valor aos produtos produzidos a partir da cana.

O futuro do setor está nas mãos do próprio setor. O discurso não pode continuar difuso, reflexo dos diversos interesses presentes no segmento, precisa convergir para um caminho comum, aproveitar um governo, que é curto, mas que quer dialogar e deixar sua marca na história brasileira. Precisamos entender que estamos do lado certo da história, porque a busca pela sustentabilidade está moldando os negócios e os investimentos ao redor do mundo.